O Amor Encontrado, a Saudade que Fica e a Incompletude que nos Completa

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Olá, amantes da poesia e da reflexão! Hoje, trago para vocês um poema que viaja pelas complexidades do coração humano, explorando o amor que se faz e desfaz, a saudade que nos acompanha e a busca incessante por algo que, talvez, já esteja em nós. Preparem-se para um passeio em forma de trovas!


Um close em uma caneta de pena prateada sobre um papel com a palavra 'Madeny' escrita em caligrafia elegante.
Detalhe de uma caneta antiga sobre papel, simbolizando a arte da escrita e a expressão poética.

Trovas do Coração Inquieto

Líricas: O Amor Perdido Depois de Encontrado

Eu te encontrei, um mar de luz,

O amor brotou, flor em botão,

Mas o destino, que nos conduz,

Levou-te embora, sem razão.

O adeus, um nó no peito meu,

A melodia emudecida,

O sonho lindo que viveu,

Agora é só dor sentida.

As juras feitas, vento vão,

Memória viva a me assombrar,

Coração ferido, sem perdão,

Que não consegue mais amar.

E nessa ausência que me consome,

Um vazio imenso a me cercar,

O amor que teve um lindo nome,

Hoje é só pranto, só penar.

Filosóficas: A Saudade em Versos

Saudade, eco de um tempo idoa,

Um riso solto, um olhar que foi,

A alma busca a melodia,

Do que se foi, e não tem dói.

É sentimento, dor que cala,

Espelho d’alma, a refletir,

O que se prende, o que se abala,

O que insiste em ressurgir.

E se a vida é um eterno fluir,

Por que o passado nos seduz?

Saudade, enigma a persistir,

Que a razão nem sempre traduz.

No fio tênue da lembrança,

Tecemos mundos, sós a sós,

Saudade é a eterna bonança,

Que nos ensina sobre nós.

Humorísticas: A Eterna Incompletude

Procuro a tampa da panela,

Pra completar meu ser assim,

Sou um pedaço de aquarela,

Esperando o azul que está em mim.

Dizem que busco a outra metade,

Pra me sentir por fim inteiro,

Mas nessa busca de verdade,

Pareço um ovo sem tempero!

Comprar um gato, um violão,

Talvez um par de meias novas,

Pra preencher a solidão,

E rir das minhas próprias trovas.

Mas a real completude, juro,

Não vem de fora, é um segredo,

Sou um universo, um futuro,

E não preciso de enredo!


Notas Explicativas do Autor: Decifrando as Trovas

Como autor, é um prazer imenso compartilhar um pouco dos bastidores da criação e do universo das trovas, um formato poético tão rico e versátil.


Trovadorismo Medieval: A Voz da Poesia Antiga

O Trovadorismo foi um movimento literário que floresceu na Idade Média, principalmente entre os séculos XI e XIV, na Europa. Originou-se nas cortes provençais (sul da França) e se espalhou por outras regiões, como a Península Ibérica. Era a manifestação poética mais importante da época e estava intrinsecamente ligado à música, sendo as poesias (cantigas) compostas para serem cantadas e acompanhadas por instrumentos.

Surgiu como uma forma de expressão artística dentro da cultura cortesã, onde os poetas, chamados trovadores, compunham e interpretavam suas obras para a nobreza. As temáticas eram variadas, mas destacavam-se as cantigas de amor (exaltação da dama, geralmente casada, e o sofrimento do trovador), cantigas de amigo (onde a voz poética é feminina, lamentando a ausência do amado), cantigas de escárnio (crítica indireta) e cantigas de maldizer (crítica direta e, muitas vezes, ofensiva).


Trovadorismo Contemporâneo: A Arte da Trova Hoje

Embora o Trovadorismo medieval tenha dado origem ao formato, a trova como a conhecemos hoje (quadra monorrima, com rima ABCB ou ABAB, e geralmente com sete sílabas poéticas) se popularizou muito depois. O Trovadorismo contemporâneo é o movimento que mantém viva essa forma poética, cultivada por poetas modernos. Não há mais a obrigatoriedade da música ou do ambiente cortesão, mas a essência da concisão e da musicalidade permanece.

  • Trova Lírica: Foca-se em expressar sentimentos, emoções, estados de espírito. O amor, a saudade, a natureza, a melancolia são temas recorrentes. No meu poema, as quatro primeiras trovas são líricas, abordando a dor do amor perdido após ser encontrado, com foco na melancolia e no vazio que se instala.
  • Trova Filosófica: Busca a reflexão sobre questões existenciais, a vida, a morte, o tempo, a razão, o destino. Convida o leitor a pensar e a questionar. As quatro trovas seguintes no meu texto são filosóficas, explorando a natureza da saudade, sua persistência e o que ela nos revela sobre o passado e sobre nós mesmos.
  • Trova Humorística: Caracteriza-se pelo tom leve, divertido, irônico e, por vezes, satírico. O objetivo é provocar o riso ou um sorriso no leitor. As quatro últimas trovas são humorísticas, usando a metáfora da “tampa da panela” e do “ovo sem tempero” para abordar de forma descontraída a nossa busca por completude, finalizando com a ideia de que a verdadeira completude reside em nós mesmos.

O Que é Trova e Sua Estrutura

A trova é uma forma poética composta por uma quadra, ou seja, uma estrofe de quatro versos. Suas características principais são:

  • Quadra Monorrima: Tradicionalmente, os versos da trova rimam entre si, seguindo o esquema ABCB (o segundo verso rima com o quarto) ou ABAB (o primeiro rima com o terceiro, e o segundo com o quarto). No meu poema, optei predominantemente pelo esquema ABCB.
  • Sete Sílabas Poéticas (Redondilha Maior): Embora não seja uma regra rígida, a maioria das trovas segue o padrão da redondilha maior, que confere um ritmo agradável e uma concisão à forma. A contagem das sílabas poéticas é diferente da contagem gramatical e considera a sonoridade das palavras, agrupando vogais quando há encontro.
  • Unidade de Sentido: Cada trova, isoladamente, deve apresentar uma ideia completa, um “flash” de pensamento ou sentimento.

Construção das Trovas do Poema e Temas Abordados

Na construção das trovas deste poema, busquei criar uma progressão temática e emocional.

  • As Trovas Líricas: Foram concebidas para evocar a dor e a desilusão de um amor que, após ser vivido intensamente, se esvai. A linguagem é carregada de sentimentos como vazio, dor e lamento. A rima e o ritmo visam reforçar essa melancolia.
  • As Trovas Filosóficas: A transição para a saudade foi natural, pois a ausência do amor perdido inevitavelmente a evoca. Aqui, o objetivo foi aprofundar a reflexão sobre o que a saudade realmente significa e como ela se manifesta em nossa existência, provocando o leitor a pensar sobre a natureza do tempo e da memória.
  • As Trovas Humorísticas: A mudança de tom no final foi intencional. Após a intensidade do amor e a profundidade da saudade, quis trazer uma perspectiva mais leve e autoirônica sobre uma busca universal: a necessidade de se sentir completo. O humor surge da desmistificação dessa busca incessante pelo “outro” como única fonte de completude, reforçando a ideia de que a plenitude já reside em nós.

Espero que esta jornada pelas trovas tenha sido tão enriquecedora para vocês quanto foi para mim criá-la. A poesia é um convite à reflexão e ao sentir, e a trova, em sua simplicidade, prova ser um veículo poderoso para isso.


Gostou do passeio pelo universo das trovas? Qual parte do poema ou das explicações mais te tocou? Deixe seu comentário!

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